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Felipe Guerra chega aos 58 anos de emancipação política em meio ao debate sobre Pedra de Abelha


Por Erinaldo Silva – Especial para o Jornal Gazeta Potiguar – 4ª Edição – Setembro de 2021

Encravado na microrregião da Chapada do Apodi e com pouco mais de 6 mil habitantes, o Município de Felipe Guerra-RN completa 58 anos de emancipação política neste sábado, 18 de setembro. Uma programação comemorativa diversificada marca a semana dos felipenses. A realização é do Governo Municipal que tem à frente o prefeito Salomão Gomes e o vice-prefeito Ubiracy Pascoal. Em meio às festividades, eis que um antigo tema que divide opiniões volta à pauta naquele município: a necessidade de rediscussão da sua denominação.

Ocorre que Felipe Guerra se chamava ‘Pedra de Abelha’ e era um povoado com pouco mais de 1 mil habitantes pertencente ao município de Apodi. Tal denominação se dava porque no hoje histórico Bairro Cidade Baixa existe uma grande pedra que no passado abrigava muitas abelhas e, ao fazer menção à localidade, onde historicamente se davam as transações comerciais daquele povo, os nativos a chamavam de ‘Abelhas’, ‘Pedra das Abelhas’ e de ‘Pedra de Abelha’, tornando-se esta terceira a denominação mais usada pela população à época, e que até nos dias atuais ainda é bastante usada pelos felipenses, especialmente como forma de homenagem em nomes de estabelecimentos comerciais, músicas, símbolos, associações, projetos e etc.

Aconteceu que em dezembro de 1953, mês e ano da sua primeira emancipação política, a atual denominação Felipe Guerra foi outorgada, ou seja, imposta por um então prefeito nomeado, que sem fazer qualquer consulta à população decidiu homenagear o ilustre e saudoso Felipe Neri de Brito Guerra (1867-1951), natural do município de Campo Grande-RN, o qual fez breve passagem pelo então povoado de ‘Pedra de Abelha’ quando escrevia o seu clássico livro intitulado Secas contra a Seca (1909). Um ano depois, por decisão judicial o município voltou a condição de povoado e foi reintegrado ao Apodi por mais 10 anos, até que, em setembro de 1963, foi novamente emancipado. À época, o então primeiro prefeito eleito também impôs a denominação atual ao município.

Por tais razões, atualmente grande parcela da população felipense critica a homenagem que considera injusta, ao mesmo tempo em que espera passivamente que os vereadores se coloquem à frente da luta pela rediscussão da denominação do município. Muitos questionam com veemência o suposto legado do homenageado no então povoado de ‘Pedra de Abelha’, ao mesmo tempo em que avaliam que tal homenagem foi, na verdade, uma espécie de “estupro” à identidade e à história daquele povo que, desde 1953, tem negado o direito de escolher a denominação do município. 

Diante de tais manifestações, o atual presidente da Câmara Municipal de Felipe Guerra, vereador Marcos Aurélio, promete abrir espaço para esta importante discussão no legislativo municipal. Já o vice-prefeito Ubiracy Pascoal se soma aos que defendem a realização de um plebiscito, o que possibilitaria uma escolha democrática. A questão deve chegar à Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte.


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