O açude vazio de seu Antônio Gentil denuncia a catástrofe
da seca. Sem água e sem pasto, os bichos fraquejam e o pobre
sertanejo apela para o bolso. O olhar distante e o corpo cansado
denunciam a velhice que chegou muito cedo. Aos 65 anos, Antônio
Gentil parece ter mais. Porém, ao invés de aproveitar
a aposentadoria conseguida com muito esforço, o agricultor
terá agora de quebrar o juízo pensando em como vai
alimentar suas 200 cabeças de gado que já começaram
a cair. Desfazer-se delas não pode. Além de muito
apegado ao rebanho, a maioria está magra de mais para valer
o que foi investido.
Dono de uma propriedade de 300 hectares na localidade de Igarapé, a 14km de Caraúbas, o agricultor recorre ao aposento para comprar ração. Todo mês, deixa mais de dois mil reais num armazém de Caraúbas. Com tudo isso, já contabiliza 17 perdas. "Como não tem pasto, os bichos estão passando fome e, quando chega a ração, comem até se 'empanzinar', aí os que deitam não conseguem mais se levantar sozinhos e acabam morrendo", disse o agricultor.
A terra de seu Antônio é considerada boa, mas como praticamente não choveu por lá neste ano, as áreas de pasto viraram deserto. Ele ainda chegou a cortar alguns hectares para o plantio, mas sem a chuva não conseguiu plantar. Dos quatro açudes da propriedade, somente um ainda aguentará até junho. Dois secaram de tudo e um está virando lama por causa do sol escaldante.
A sorte do agricultor é um poço tubular profundo, do qual ele pretende tirar pelo menos a água de beber do gado, mas para isso precisará conseguir que a Companhia Energética do RN (COSERN) implante mais um transformador na fazenda, e ele sabe que essas coisas demoram muito. Sem falar que o poço está sendo usado pela Companhia de Águas e Esgotos do RN (CAERN) para abastecer a zona urbana e, por conta do aumento do consumo, o lençol freático está diminuindo dramaticamente.LEIA MAIS.
Jornal de Fato
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